O Que É e Como Investir num COE ( Certificado de Operações Estruturadas )

Certificado de Operações Estruturadas - COE

 

Quanto mais opções de investimentos houver à nossa disposição, melhor. Com mais produtos financeiros ao nosso alcance, podemos batalhar por menores taxas e melhores relações risco x retorno. Pensando nestes novos produtos, temos um relativamente novo, os Certificados de Operações Estruturadas (COE).

Tenho recebido algumas perguntas quanto a este novo investimento. Pelo visto os agentes do mercado estão começando a oferecer bastante este produto.

O COE foi regulamentado pela Comissão Monetária Nacional em 2013, porém, em 2015 e 2016 é que começou a ser oferecido para os investidores de forma mais volumosa.

Ainda é um recém-nascido no mundo dos investimentos.

Acredito que começaremos a ver mais este produto sendo ofertado aos pequenos investidores no futuro.

Por isso é bom você conhece-lo. Quando aparecer uma oportunidade de investimento, você já saberá o que é e como funciona.

O COE é um investimento um pouco mais complexo do que um fundo de investimento ou um CDB, porém, é de fácil entendimento.

O Que é Um COE

COE

Trata-se basicamente de um investimento onde é estabelecida uma rentabilidade mínima e uma rentabilidade máxima.

Você sabe em qual intervalo ficará o retorno do seu investimento. Tudo dependerá da negociação.

Quando é oferecido um COE, a instituição já deve ter algumas informações para passar como: a duração do investimento, qual o índice que ele terá como benchmark, a rentabilidade mínima e máxima, entre outros pontos.

Mas como assim rentabilidade mínima e máxima?

É simples.

O COE tem por sua natureza fornecer garantia ao investidor.

A melhor forma de se explicar algo é dando exemplos.

Vamos supor então que uma corretora ofereça um COE para você.

Este COE seguirá o benchmark do Ibovespa. Então na prática, a rentabilidade do Ibovespa será a sua rentabilidade.

Até aqui não é nenhuma novidade. Isso seria igual a diversos fundos de investimentos que temos a nossa disposição.

A diferença do COE é que a instituição que está ofertando o COE irá impor uma rentabilidade mínima e máxima para você.

Digamos que neste COE, que terá a duração de 1 ano, você terá uma rentabilidade mínima de 0% e uma rentabilidade máxima de 25%.

Na prática, se o Ibovespa der um retorno de -10% no período, você terá de volta o seu capital investido, com rentabilidade de 0%. Para qualquer valor negativo do Ibovespa, você terá seu capital de volta.

Agora se o Ibovespa der um retorno de 30%, 40% ou 50% neste intervalo, você receberá somente 25%, pois é a sua rentabilidade máxima.

Qualquer retorno do Ibovespa no intervalo de 0% a 25% será a rentabilidade do COE também.

Para simplificar, você tem 3 cenários, conforme o gráfico abaixo.

Variação COE - ABC

  • No cenário A, a rentabilidade do Ibovespa foi negativa ou 0%. Neste cenário, sua rentabilidade será fixada em 0%.
  • No cenário B, a rentabilidade do Ibovespa foi de 0,01% até 25% e sua rentabilidade será um espelho do Ibovespa.
  • No cenário C, a rentabilidade do Ibovespa foi de 25% até o infinito% e sua rentabilidade será de 25%.

Para ficar mais claro, este mesmo gráfico com os percentuais limitantes de perda e ganho.

Variação COE - %

Para ajudar ainda mais, fiz uma lista para facilitar as diversas rentabilidades possíveis do Ibovespa.

Nessa imagem abaixo, utilizei como exemplo o Ibovespa em 50.000 pontos na hora da compra do COE. Isso significa que depois de 1 ano será comparado o valor do Ibovespa com os 50.000 da compra.

O valor inicial do Ibovespa vai variar de acordo com as negociações e termos do COE.

Variação COE - Valores

Assim fica muito mais fácil entender pra onde pode ir seu dinheiro, quanto você pode ganhar e até onde vão suas perdas.

Lembrando que este é só um exemplo de COE .

Há outras variações que seguirão outros índices.

Vantagens e Desvantagens do COE

Vantagens e Desvantagens COE

Como todo e qualquer investimento, o COE tem suas vantagens e desvantagens.

Vamos começar com o que há de bom.

A principal vantagem do COE é que ele limita as suas perdas.

Essa vantagem é uma das principais atrações para os investidores iniciantes que não tem estomago de aguentar uma rentabilidade negativa nos seus investimentos.

Garantindo que o investidor que colocar seu dinheiro na bolsa não terá rentabilidade negativa, no pior dos cenários, vai sair com o dinheiro que colocou.

Outra vantagem do COE é a ausência de taxa de administração.

Isso pode significar uma rentabilidade real de 1% a 3% no final de um ano sobre o valor total investido.

Essa é uma vantagem gigante se compararmos com alguns outros investimentos que cobram um absurdo de taxas de administração.

Basicamente, são estas as vantagens do COE.



Agora uma grande desvantagem do COE é limitar os seus ganhos.

É claro que se limitar suas perdas é uma coisa boa, limitar seus ganhos é uma coisa ruim.

Se houver algum acontecimento muito benéfico para a bolsa em geral, você não estará participando, pois ganhará no máximo os 25%.

Esse ponto é algo extremamente negativo, visto que uma das atrações de investir na bolsa são os ganhos ilimitados que podem ocorrer.

Além disso, a questão de determinar um prazo para você se desfazer do investimento também é uma grande desvantagem.

Quando investimos em bolsa, não temos a intenção de um prazo definido para a venda das ações, visto que investir em ações é visando o longo prazo.

Mesmo se você goste de apostar na bolsa em curto prazo, ficar com um prazo definido para o investimento também é algo ruim.

Complica bastante nossa vida.

Outra desvantagem é a falta de liquidez. Para você garantir todos os termos da negociação você não poderá retirar seu dinheiro em caso de emergência.

Em alguns casos, nem retirar o dinheiro você poderá. Depende de cada COE.

Mais uma desvantagem é o Imposto de Renda incidente nesta modalidade de investimento.

O COE cai na tabela regressiva do imposto de renda, onde somente investimentos com prazo maior que 2 anos incidirá 15%.

Normalmente um COE tem prazo médio de 1 ano, onde o valor do IR ficaria na faixa de 17,5% até 20%.

Veja que não é simples julgar se o COE é um bom ou mau investimento.

Afinal, recomendo ou não o investimento em COE?

Essa é a parte onde dou minha opinião sobre este novo produto.

E a resposta simples e curta é: Depende do COE.

O COE não foge da regra dos demais produtos financeiros.

Há fundos de investimentos bons e ruins. Há CDBs bons e ruins. Há COEs bons e ruins.

Mas há alguns pontos que devemos analisar.

Na maioria das vezes, não compensa investir em COE.

Vou explicar o motivo.

Como já demonstrei ser uma desvantagem, quando o investidor separou uma quantia para investir em renda variável é com o intuito de investimento no longo prazo.

Esse fato não condiz com os prazos médios dos COEs, que normalmente são de 1 ano.

Essa desvantagem é realmente impactante.

Outro ponto de extrema importância é a comparação com outros investimentos, o famoso custo de oportunidade. Vamos comprar, por exemplo, com o Tesouro Direto Selic.

Para facilitar o cálculo, digamos que a Selic esteja pagando 12,5% ao ano e você recebeu aquela oferta de COE entre 0% e 25%.

Você já tem garantido 12,5%. Você pode chegar a dobrar sua rentabilidade correndo um risco grande. Mas somente poderá dobrar.

E se o retorno for negativo, você sairá com 0% sendo que poderia ter ganhado os 12,5%.

“Bom Matheus, se analisarmos assim, não vale a pena investir nem na bolsa normal, pois ao invés de 0% posso ainda ter rentabilidade negativa e de quebra deixar de ganhar os 12,5%.”

Não tiro sua razão. Mas um ponto importante que é investir na bolsa é conseguir ganhar mais 25% ao ano, além de ter a vantagem de poder entrar e sair quando quiser do investimento.

No COE você está se limitando a um determinado percentual, enquanto que investindo diretamente em ações você pode ter um ganho ilimitado.

Exatamente por você não ter um prazo definido para se desfazer do investimento.

Você venderá seu ativo quando você achar que for a hora oportuna.

Claro, foquei muito no investimento em Ibovespa.

Há outras modalidades de COE, como dólar e inflação.

Mas seguem a mesma lógica. Todo investimento em renda variável não deve ter um prazo definido.

Deve ser um investimento pensado para o longo prazo, ou com alguma outra estratégia.


Concluindo

Para resumir, vou direto para algumas das vantagens e desvantagens dos COEs.

Vantagens:

  • Limita suas perdas;
  • Não é cobrado taxa de Administração.

Desvantagens:

  • Limita seus ganhos;
  • Define um prazo para seu investimento;
  • Não tem liquidez;
  • IR cai na tabela progressiva.

Essas são as principais características que diferenciam um COE de um fundo de investimento.

Minha recomendação final para investir ou não em um COE dependerá muito da negociação, das possibilidades de perda e ganho.

Na maioria dos casos, infelizmente não vale muito a pena investir em um COE.

Uma coisa boa é que não é um investimento ruim. Ele só não vale a pena em diversos casos pelo fato de haver outros investimentos melhores.

Não é algo do tipo Previdência Privada que você tem que ficar bem longe.

É uma alternativa de investimento válida se utilizada da forma correta.

Grande Abraço!

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Pós-graduado em finanças pela Fundação Getúlio Vargas e bacharel em Administração. Consultor Financeiro Pessoal, ajudando diversas pessoas a melhorar sua vida financeira, é estudante e atuante no mercado financeiro desde 2010.