O Erro que Você pode estar Cometendo ao Diversificar Investimentos (e como arrumar!)

 

diversificar investimentos

Diversificar Investimentos. A velha história de “não deixe todos os ovos na mesma cesta”. Acredito que todo investidor conheça. É um básico dever de casa para quem quer começar a investir de verdade. Mas, será se existe uma forma certa ou errada de diversificar investimentos? Diversificar é fundamental, e você precisa começar a aprender a fazer da melhor maneira possível.

A diversificação é muito complexa e envolve diversos pontos de análises. Por isso, afirmar que existe uma forma certa ou errada de diversificação é difícil. O que existe, porém, é fazer melhor ou pior do que a grande maioria.

O primeiro passo para uma diversificação eficiente é você identificar o seu perfil de investidor. Para fazer isso, é preciso de uma série de dados individuais para traçar os melhores investimentos para cada um.

Infelizmente não é possível eu indicar de uma forma geral, quais ativos são os melhores para você. Faço o levantamento detalhado dos meus clientes para poder criar as melhores opções para eles.

Sou contra a opinião de fazer aquele levantamento totalmente supérfluo do tipo:

“Um jovem de 20 anos tem como se recuperar de perdas, por isso, deve investir a maior parte do dinheiro na renda variável”.

Realmente não gosto dessas opiniões “receita de bolo”. Tudo depende de diversas variáveis, baseadas principalmente nos objetivos de cada um. Claro que a idade e o grau de aceitação com perdas influenciarão nos seus investimentos.

Gosto de indicar investimentos de acordo com o objetivo da pessoa. Para exemplificar, vamos dizer que Pedrinho de 20 anos tem 3 sonhos em mente:

  • Fazer um intercâmbio dentro de 3 anos;
  • Ficar viajando pelo mundo durante 1 mês dentro dos próximos 10 anos;
  • Se aposentar com 50 anos.

Cada objetivo destes será tratado de maneira diferente. Se o Pedrinho tem estes 3 sonhos, é preciso que ele trabalhe de forma a tentar realizar os 3.

Nesta linha de raciocínio, faço um levantamento de quanto dinheiro será necessário para realizar cada sonho. Com isso, estipulamos o valor necessário a ser poupado por mês para cada um também.

E o valor de cada um, será direcionado para os investimentos que melhor condizem com a realidade dele e de seus objetivos.

Entender isso é o primeiro passo da diversificação.

Formas Diferentes de Diversificar Investimentos

Diversificar Investimentos 2

 

Como eu informei, existem muitas variáveis para fazer uma boa diversificação. Esta questão de perfil de investidor é uma delas. Uma das mais importantes, diga-se de passagem.

Mas se você já entendeu que você deve alocar seus investimentos de acordo com os seus objetivos, o que falta de mais importante para diversificar?

Esta pergunta é onde muitas pessoas pecam.

A maioria dos investidores leva em consideração investimentos apenas de seu conhecimento, ignorando investimentos importantíssimos para diversificação dos quais não tem um conhecimento aprofundado.

Darei 3 exemplos de diversificações que escuto muito:

#1 – Diversificar investimentos somente dentro da bolsa, entre empresas pequenas (chamadas por Small Caps) e empresas grandes (chamadas de Blue Chips).

#2 – Diversificar investimentos somente na renda fixa, investindo em um CDB, em uma LCI e alocando alguns recursos na poupança.

#3 – Diversificar investimentos da seguinte maneira: Investir num fundo de investimentos que compra ativos da Bovespa e outra quantia num CDB no banco.

Repare que em nenhum dos casos há uma boa diversificação.

Alguns não investem na bolsa, por simplesmente não a conhecer.  Alguns não investem em dólar porque acham que vai cair, mesmo sem ter certeza de nada, partindo somente de suposições.

Tem ainda quem acredite que investir em LCI, CDB, Poupança e no Tesouro Direto Selic já está muito bem diversificado.

Então como é possível fazer uma boa diversificação? Como escolher os ativos certos se tenho pouco dinheiro?

Diversificar Investimentos da Melhor Maneira Possível

Diversificar Investimentos 3

 

A primeira coisa a se pensar é o que diversificar.

Muita gente pensa que investir em variados ativos está diversificando. Infelizmente, está incorreto.

Investir em diversos ativos é, por exemplo: Investir na Poupança, num CDB, numa LCI, no Tesouro Direto Selic e num Fundo de Investimento Renda Fixa.

Muitas pessoas acham que isso é diversificar. Mas não é. Esse é o erro de muitos investidores e que interfere diretamente na rentabilidade.

Todos estes ativos tem um índice de referência: o CDI.

O que acontece se a taxa CDI cair? Os rendimentos de todos seus ativos cairão.

Se todos seus ativos caírem devido a 1 evento, você não está diversificando.

Então de nada adianta ter milhares de ativos, se eles não seguem índices diferentes.

Essa é uma questão vital para você aprender a diversificar investimentos de verdade. Para exemplificar, você deve investir em ativos atrelados ao CDI, ao IPCA, ao IBOV, ao Dólar, entre outros índices.

Isso é diversificar.

Além disso, há outro problema. Como escolher a melhor maneira de escolher seus ativos, dentro dessa variedade de índices?

Para quem não tem muito dinheiro para investir, será preciso escolher poucos índices para diversificar.

Já falei que não gosto de receita de bolo, mas quanto à compra de diferentes índices, é possível passar uma.

  • Até $2.500 – Apenas 1 índice
  • De $2.500 até $5.000 – 2 índices
  • De $5.000 até $10.000 – 3 ou 4 índices
  • De $10.000 até $20.000 – 5 índices
  • Mais que $20.000 – 6 ou + índices.

É necessário deixar claro que essa regra serve para quem tem um horizonte de longo prazo. Se  você quer dinheiro para curto prazo, sem a hipótese de resgatar menos dinheiro que colocou você investirá grande parte num índice apenas, o CDI.

“Ok Matheus, já entendi que não devo diversificar em diferentes ativos, e sim em diferentes índices. Mas quais índices escolher?”

Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Não é nem de reais, é de dólares mesmo, já que o dólar está valorizado.

Na hora de escolher os índices é que as pessoas vão pelo “achismo”.

Uns investem na bolsa e no CDI porque conhecem melhor.

Outros não querem investir no Dólar porque sempre acham que vai cair.

Outros acham que não precisa se preocupar com o IPCA (inflação) quando o assunto é investimento.

Não adianta ir pelo achismo, com o que tem ou não que se preocupar. Existem ferramentas disponíveis para nós podermos nos basear corretamente nas nossas escolhas.

Uma análise específica é crucial neste momento.


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A Correlação de Ativos.

Por mais que o nome pareça complicado, é muito simples. O importante é você entender o conceito. Qual o propósito da Correlação de Ativos.

Se você for procurar assuntos sobre o tema, existe muito material didático sobre o assunto. Realmente há cálculos complexos onde um simples investidor não conseguiria descobrir sozinho.

Mas como a tecnologia é amiga de todos, numa planilha de Excel é possível fazer o cálculo facilmente. Então, não se preocupe.

Explicando de uma forma muito simples, correlação de ativos é uma comparação entre 2 ativos, informando como os ativos se comportam, na questão rentabilidade, ao longo do tempo.

É sempre uma medida entre -1 e 1. Eu gosto de tratar entre -100% e +100% que é a mesma coisa, mas transforma a visualização do número em algo mais amigável.

Então quanto mais perto dos 100%, quer dizer que mais os ativos se parecem, na questão rentabilidade.

Se 2 ativos tem uma Correlação de +90% quer dizer que se um ativo variar +2% no mês, o outro vai variar muito próximo dos +2%.

O inverso disso, uma correlação for -90% uma rentabilidade vai exatamente do lado oposto. Como por exemplo +5% e o outro -5%.

É simples. Quanto menor a Correlação, maior a variação de um ativo para o outro no mês.

Com essa explicação, você acha que é melhor nós buscarmos ativos com uma correlação perto dos 100% ou perto dos -100%?

Pense um pouco…

Se você disse perto dos 100%, você errou. Provando que, no mercado financeiro, nem tudo que é negativo é ruim. 🙂

Quanto menor a correlação melhor. Pelo simples motivo de que uma correlação negativa vai deixar você mais próximo de uma menor variação mês a mês.

Você vai sair da montanha russa de ver sua rentabilidade ficar indo de +10% para -6% de um mês para o outro, caso que acontece com uma correlação positiva.

Já se você tem uma correlação negativa, você consegue manter uma rentabilidade sempre mais próxima do 0, como +3% e -1%.

Para ajudar no entendimento e para você começar a utilizar no seu dia-a-dia, fiz algumas análise comparando as rentabilidades de 6 índices e fazendo um estudo nas suas correlações.

Análise Real e Prática de Correlação de Ativos

Diversificar Investimentos 4

 

Fiz uma comparação de 6 índices para que seja possível você enxergar como funciona a correlação de ativos. Não é nada de muito complexo. Utilizei 6 dos índices mais comuns e de mais fácil acesso que temos no mercado, que normalmente é utilizado pela grande maioria dos investidores. São eles:

 

  1. IBOV – O índice oficial da Bovespa. Contempla cerca das 70 maiores empresas do Brasil, refletindo a variação mensal destas empresas, proporcional ao seu tamanho no mercado. Para acessar a lista das empresas listadas, veja este LINK.
  2. SMAL – Este índice é utilizado também para medir o desempenho de empresas listadas na Bovespa, porém, são apenas Small Caps (empresas de pequeno porte). São empresas de um tamanho menor que as listadas na Bovespa. Para acessar a listagem das empresas, veja este LINK.
  3. IFIX – É o índice que mede a rentabilidade dos Fundos de Investimentos Imobiliários. Uma opção para investirmos em imóveis da melhor maneira. Se você também quer ver a lista completa dos ativos, acesse este LINK.
  4. CDI – O índice básico. Segue a SELIC, taxa de juros básica do Brasil. Se quer conhecer melhor, indico a leitura deste artigo.
  5. IPCA – Índice oficial da Inflação. É ótimo nós compararmos investimentos com a inflação, procurando nos proteger.
  6. Dólar – Índice esquecido por muitos na hora de investir. Acredito que no final da análise, você vai querer começar a investir nele.

Fiz um comparativo contemplando os últimos 4 anos. Então as medições vão de Jul/2011 até Jun/2015.

Para começar a análise, vamos ver como foi a rentabilidade destes índices no período:

Rentabilidade Anual Diversificar Investimentos

 

Você já está começando a gostar mais do dólar, não é?

Pois bem, só esta comparação não nos diz nada quanto à correlação de ativos e diversificação. Diz somente que quem investiu em dólar está feliz.

Este quadro a seguir demonstrará a correlação entre os ativos:

Correlações Diversificar Investimentos

(para quem tem curiosidade sobre o Excel, basta utilizar a fórmula =CORREL)

Lembrando que quanto mais próximo dos 100%, pior para a diversificação. Comparando os 5 maiores e os 5 menores, nós temos:

maiores e menores Diversificar Investimentos

Veja então que quem investe em IBOV e SMAL não está diversificando praticamente nada seus investimentos, devido à correlação de 84,08%.

Agora quem investe em Dólar, está bem protegido da variação do IBOV, do SMAL e do IFIX.

Veja que o Dólar é uma ótima forma de proteção e diversificação.

Para você entender como funciona na prática, vamos comparar uma correlação negativa e uma positiva, para facilitar o entendimento.

Grafico Correlação Positiva Diversificar Investimentos

Veja que uma correlação perto dos 100% a variação fica muito próxima. Repare nas linhas verdes e vermelhas, como andam juntas. O resultado é a linha azul, que fica muito volátil no período, oscilando muito seu dinheiro.

É exatamente isso que a correlação nos mostra. Ela nos ajuda a sair dessa montanha russa de ver a rentabilidade ir do céu ao inferno mês após mês. Veja só a seguir a diferença

Grafico Correlação Negativa Diversificar Investimentos

Repare nessa correlação negativa, como muda de figura. Olhe que normalmente quando um ativo sobe, o outro desce. Quando o Dólar sobe 10%, o IBOV vai para -5%. Quando o IBOV vai para 15% o dólar vai para -7,5%.

O resultado disso é a linha azul. Repare como ela fica com uma volatilidade muito menor. Como ela permanece pequena, saindo pouco da casa dos 5% negativo ou positivo no mês.

Esse é o resultado de uma correlação negativa, selecionando 2 ativos que se diferenciem ao longo do tempo.

Para você entender como é poderosa a correlação, olhe a variação mensal comparando os 2 ativos com a menor correlação, com uma carteira que investe o mesmo valor nos outros 6 ativos que informei.

Grafico 2 x 6 Diversificar Investimentos

Se você investir somente nos 2 ativos, você já consegue um resultado ótimo, no ponto de vista diversificação. A variação de um para o outro é muito pequena.

A pergunta agora é: a correlação gera bons resultados?

Comparação de Rentabilidade com Correlação de Ativos

Separei um gráfico com a evolução de $100 ao longo do período investindo em uma correlação positiva (IBOV + SMLL) em uma correlação negativa (IBOV + Dólar) e numa grande diversificação com 6 ativos. Repare o resultado.

Grafico Evolução 100 reais Diversificar Investimentos

É claro que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

Tudo depende dos cenários, mas o ponto chave aqui é diversificar com ativos que tenham uma correlação negativa grande, e estar protegido e preparado para todo cenário que enfrentar.


 

Conclusão

Diversificar Investimentos não é algo simples. Veja que envolve uma complexa análise, que ainda levaria em conta outros fatores.

Conhecendo os conceitos básicos de Correlação de Ativos que expliquei você já conseguirá ajustar melhor a sua carteira de investimentos, com o intuito de buscar uma melhor proteção através da diversificação.

Lembrando que da tabela que forneci, os dados podem variar ao longo do tempo. Mas é bastante improvável se distanciar muito do que mostrei.

Veja como é necessário diversificar seus investimentos para estar preparado para todos os cenários econômicos que podemos enfrentar.

imagem5

Com estes dados é possível ainda buscar formas de procurar aumentar a rentabilidade e diminuir os riscos de uma carteira.

Escolhendo 3 ativos dos 6 que listei, foi possível conseguir uma rentabilidade maior que todos os 6 juntos e ainda conseguir diminuir o risco envolvido.

São estas análises que faço para meus clientes (e para mim, lógico) buscando sempre isto, aumentar a rentabilidade e diminuir o risco.

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Até o próximo artigo


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Pós-graduado em finanças pela Fundação Getúlio Vargas e bacharel em Administração. Gestor Financeiro da High Stakes Academy e Consultor Financeiro Pessoal, ajudando diversas pessoas a melhorar sua vida financeira. Estudante e atuante no mercado financeiro desde 2010.