Índice de Ações ou Carteira Própria: Qual a Melhor Forma?

 

Voltando a um assunto polêmico! Um assunto até hoje alvo de grandes debates entre investidores. A grande polêmica é: investir em um Índice de Ações ou numa carteira própria de ações, o que é melhor? Essa pergunta é bem complicada.

 

A primeira coisa para entender é que não tem certo ou errado nessa questão.

Há um melhor e há um pior, dependendo da situação de cada um.

Há especialistas que afirmam que seguir o Ibovespa é a melhor solução para investir no mercado de ações, não importando sua estratégia.

Há quem defenda que uma carteira de ações com poucas e ótimas empresas é o melhor caminho.

É realmente um debate interminável.

Por isso decidi fazer uma comparação da minha carteira própria de ações com o Ibovespa

Uma comparação dos últimos 24 meses.

Qual foi o mais rentável? Qual correu maior risco?

Continue lendo este artigo para descobrir.

Recapitulando

Recapitulando

Se você já acompanha o Economizar e Investir, sabe que fiz essa mesma comparação neste artigo.

Naquela ocasião, tinha apenas 10 meses para avaliar. É um intervalo de tempo curtíssimo para analisarmos investimentos de longo prazo como ações.

Agora 24 meses já é um tempo considerável (mesmo que ainda curto) para efetuarmos esse levantamento.

Aconselho você a ler o artigo onde fiz as comparações para ter uma real noção de como o tempo interfere nos seus investimentos.

Naquele artigo, fiz indicações de quando investir em cada situação. Concordo com todos meus levantamentos até hoje.

Porém ficou faltando algo.

Sinto isso pela quantidade de e-mail que recebo de perguntas do tipo: Você prefere investir em ações individuais ou seguir o Ibovespa?

Estarei disposto a argumentar qual minha preferência e o motivo.

Mas é primordial que você entenda que há situações que é melhor você investir em ações individuais, outras situações será melhor investir em fundos de investimentos e em outras, investir em ETF’s (saiba mais sobre ETF neste artigo).

Depende de algumas variáveis, como conhecimento, investimento inicial, entre outros. Basta você ler o artigo que indiquei no inicio deste artigo para entender.

A dúvida aparece quando você preenche todos os requisitos das 3 formas de investir no mercado acionário. Qual é a melhor? Veremos adiante.

Antes de tudo, vamos fazer a comparação que prometi dos últimos 24 meses entre uma carteira individual e o Ibovespa.

Comparação Últimos 24 Meses

Comparação Ibov e Carteira

Antes de qualquer coisa, é preciso repassar algumas informações.

  • Minha carteira contou com 5 compras e 3 vendas nestes 24 meses.
  • Iniciei com 10 ações e terminei com 12 ações em carteira.
  • 2 ações foram compradas e vendidas dentro dos 24 meses. As outras 3 compras permaneceram na carteira e vendi somente 1 da carteira inicial.
  • Estou considerando o ganho com dividendos e aluguel de ações.
  • Considero o ganho com venda de opções cobertas.
  • Deduzo todos os valores que paguei com corretagem.
  • Ignoro os valores pagos pela custódia, pois pagaria da mesma forma se tivesse investido em ETF.

As compras e vendas foram pontuais. Contando com apenas 2 “trades”.

Ganho com dividendos é justo, pois o Ibovespa considera o reinvestimento dos dividendos.

O ganho com aluguel de ações e vendas de opções cobertas são vantagens que o gerenciamento de uma carteira individual de ação nos fornece. Por isso acho justo considera-los quando faço a comparação.

Sabendo disso, podemos começar.

Abaixo coloco a rentabilidade mês a mês das 2 opções. Em verde, a melhor opção para cada mês.

24 meses

Pelos verdes de cada lado é possível ver que foi equilibrado a quantidade de meses que cada carteira foi melhor. Totalizando o seguinte:

melhores

Dos 24 meses fui melhor em 13, ou seja, 54% das vezes. Um equilíbrio gigantesco.

Porém, na rentabilidade acumulada, a qualidade dessas 13 vezes em que superei o Ibovespa é visível.

rentabildiade 24 meses

Nesses 24 meses obtive um retorno de 24,83% ou 1,03% ao mês.

Já o Ibovespa o retorno foi de 6,46% ou de 0,27% ao mês.

O meu retorno no período foi bem superior ao Ibovespa. Foi quase 4 vezes superior.

Você acha que esse ganho na rentabilidade está atrelado a um risco muito maior?

Afinal, ter 12 ações em carteira corre um risco muito maior do que ter mais de 70, não é?

Na teoria, com toda certeza. Na prática, nem tanto.

Veja abaixo.

risco médio

Veja que o risco da minha carteira, calculado através do desvio padrão, chegou a 23,79% enquanto que o risco do Ibovespa ficou em 21,31%.

A diferença é quase inexistente.

O que prova que diversificar muito, às vezes torna-se desnecessário.

Investindo em 12 empresas já corre o mesmo risco de investir em 70 empresas.

Então o que muitos investidores alegam que investir em índices com diversas empresas é mais seguro que investir em uma carteira com mais de 10 ações é uma inverdade.

Pode ser sim que muitos percam na rentabilidade, por investirem em empresas erradas ou outros motivos.

Agora dizer que é corre menos risco está fora de questão.


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Qual Forma de Investir Eu Prefiro

Preferir

Se você se encaixa em todos os perfis que informei neste artigo, há um que acho o melhor.

Acho que já deu pra identificar qual, não é?

Prefiro muito mais a forma de investir em ações individuais.

E não, definitivamente não é pelo fato de eu ter superado o Ibovespa nos últimos 24 meses.

O fato de eu preferir investir em ações diretas é pelo fato de você estar investindo num negócio que você estudou, entendeu e acredita.

Você sabe o que está comprando. Você sabe quais são os pontos fortes e fracos da empresa. Afinal, ser acionista é ser dono da empresa. Você só pode ser sócio daquilo que você acha que vale a pena.

Comprar um ETF ou um fundo que replique uma cesta de ações não é nada além de investir em um índice comum e jogar seu dinheiro ao acaso.

Você não está comprando ação X pelo fato de acreditar no futuro dela, por entender que o negócio que ela atua é bom e poderá render dinheiro para você.

Está simplesmente investindo em um índice, como o IPCA ou Selic.

O problema é que índices como a Selic, você tem a garantia de proteção e de ser o retorno mais seguro no mercado.

O IPCA você sabe que está protegendo o seu poder de compra no futuro.

Um índice de ações pode somente servir como uma “proteção” (o termo correto é hedge) para algumas carteiras de investimentos.

Para o investidor brasileiro comum, não vejo muito sentido em investir no índice, embora não seja algo ruim ou contra indicado.

Como eu disse no início do artigo, há diversos especialistas que indicam o investimento no índice. Não tem nada de errado!

É claro que você só pode investir diretamente em ações se você estudar bastante elas. Investir somente por indicações de corretoras ou de especialistas é algo fora de questão.

Então se você não quer estudar e analisar empresas, fique com os índices de ações.

Você deve estudar e saber o motivo de estar investindo na empresa.

O que me deixa mais confortável ainda com o investimento direto em ações é o retorno no longo prazo das ações.

Ainda que o Brasil tenha um ponto bastante negativo.

Infelizmente, nosso mercado é muito jovem se comparado com o mercado de outros países.

A maioria das nossas empresas nasceram no meio de uma era conturbada no mundo, com uma crescente globalização e competitividade global, enquanto que empresas americanas competiam somente contra elas mesmas no século XX.

Era muito mais fácil crescer e lucrar. Estas empresas criaram uma base sólida para crescer e aguentar diversas crises e concorrentes mundiais.

Num mundo onde uma empresa no Brasil precisa competir com a China é muito mais difícil de perpetuar.

Por isso que muitas empresas aqui no Brasil não dão certo, se compararmos com a quantidade de empresas gigantes que temos nos Estados Unidos com 80 ou 100 anos de tradição.

Ainda assim, há diversos casos de empresas bem sucedidas em terras tupiniquins.

Vamos comparar algumas empresas de diversos setores com o índice Ibovespa nos últimos 15 anos:

IBOV grafico

(imagem retirada do Yahoo Finance)

Este é o gráfico do Ibovespa. Em 15 anos teve um retorno de +236,57% e média de 15,77% ao ano.

É uma boa média de crescimento, considerando a recente crise brasileira e a crise do subprime em 2008.

Agora vamos comparar com algumas ações individuais.

(Todos os gráficos que mostrarei abaixo foram retirados do site Fundamentus um excelente site para conseguir algumas informações fundamentalistas de empresas)

Para trazer para a realidade, todos os gráficos que mostrarei a seguir consideram o reinvestimento dos dividendos.

itub4 grafico

Aqui temos o gráfico do Itaú. Em 15 anos um incrível retorno de +645,30% ou 43,02% ao ano.

Uma das melhores empresas hoje do Brasil demonstra um bom retorno nos últimos anos. Quase o triplo do Ibovespa.

csna3 grafico

A siderúrgica CSN, uma das mais conhecidas no Brasil, apresenta um retorno de +951,51% ou 63,43% ao ano.

Mesmo uma empresa mal tratada nos últimos anos e bem longe do seu pico histórico, ainda assim com um rendimento impressionante.

tble3 grafico

A Tractebel, empresa de geração de energia, com uma valorização de incríveis +1.866,12% nos últimos 14 anos, 124,41% ao ano.

A diferença para o Ibovespa é gritante. Empresas boas sempre se sobressaem.

índice de ações

A CCR é uma empresa de concessão de infraestrutura, transportes e serviços. Faz a administração de diversas rodovias no Brasil.

Rendeu incríveis +1.878,20% em 15 anos, ou 125,21% ao ano. Uma empresa sólida, num ótimo mercado. Sofreu muito nos últimos anos com a recessão.

hgtx3 grafico

A Hering, uma empresa têxtil catarinense, mesmo muito longe do seu pico histórico, ainda assim rendeu +1.926,47% ou 128,43% ao ano.

Veja que o preço ficou estagnado durante um bom período e depois disparou. Isso é normal em algumas empresas. Assim que a empresa demonstra seus resultados e o mercado percebe o valor da empresa, o valor dispara.

brsf3 grafico

Uma das maiores empresas brasileiras, a Brasil Foods mesmo longe do seu pico histórico, rendeu +2.208,12% ou incríveis +147,21% ao ano.

Ela é hoje uma das maiores empresas de alimentos processados do mundo. Seu rendimento realmente condiz com isso.

pnvl4 grafico

Há também casos extremos como este do Grupo Dimed (controladora da rede Panvel Farmácias e Dimed Distribuidora) que em 15 anos foi possível ter um rendimento de 4.414,07%!

Encontrar grandes valorizações na nossa bolsa não é tão difícil assim.

Estes são só alguns casos que peguei de diferentes setores.

São essas empresas que você deve procurar. São algumas ótimas empresas que podem fornecer um rendimento extraordinário. São empresas que você quer ser sócio.

De novo: não acho errado investir em índices da bolsa. Compor a carteira com eles, dependendo da estratégia traçada, é muito bom.

São realmente poucas pessoas que conseguem bater o mercado consistentemente, mas é possível.

É fácil você ver diversos especialistas incentivarem e fomentarem a vontade de investir em índices de ações. Garanto que 90% desses especialistas são estrangeiros.

Devemos considerar o fator tupiniquim de investimento. Na teoria, investir num índice no Brasil não é muito diferente de investir num índice nos EUA. Já na prática, é completamente diferente.

O principal fator é de que na bolsa americana, há um número muito maior de investidores de longo prazo do que de especuladores. Já no Brasil, há um número MUITO maior de especuladores do que de investidores de longo prazo.

Isso, por si só, já é uma diferença gigante. Enquanto que nos EUA cerca de 70% da população investe na bolsa, no Brasil estamos próximo dos 2%.

Não tem como comparar um mercado com o outro. São culturas distintas.

Para entender melhor os investimentos no Brasil, gosto de uma resposta de Luiz Barsi, um dos maiores investidores pessoa física da Bovespa, em uma entrevista para o InfoMoney. Quando perguntado “Como empobrecer na bolsa?” Luiz Barsi respondeu:

“Há três tipos de compradores que serão perdedores natos e nunca vão enriquecer na bolsa: quem compra ações para especular, quem investe em fundos passivos que apenas seguem o Ibovespa sem fazer uma análise dos melhores papéis e quem usa opções ou contratos a termo para se alavancar.”

Não poderia concordar mais.

Por isso que mantenho minha opinião de sempre estudar muito, ficar de olhos bem abertos nos custos e investir em ótimas ações diretamente.

Acho que está sempre será a melhor opção.

Um grande abraço!


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Pós-graduado em finanças pela Fundação Getúlio Vargas e bacharel em Administração. Gestor Financeiro da High Stakes Academy e Consultor Financeiro Pessoal, ajudando diversas pessoas a melhorar sua vida financeira. Estudante e atuante no mercado financeiro desde 2010.

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